Agrolink – Leonardo Gottems
A cultura do tomate em Portugal atravessa um momento decisivo e desafiador. Segundo Pedro Pereira Dias, Diretor da A Sementeira, o país consolidou-se em 2023 como o 3.º maior produtor de tomate da União Europeia, posição que reflete a força e a relevância desta fileira para a agricultura nacional e para as exportações. No entanto, os números também trazem um sinal de alerta: Portugal perdeu cerca de 10% da sua quota de produção em relação aos restantes países europeus, o que evidencia uma perda de competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
Para 2025, as perspetivas não são animadoras. A redução da área instalada e o atraso no desenvolvimento das culturas apontam para uma manutenção dos níveis de produção, sem ganhos relevantes em termos de volume. Essa situação coloca em risco não apenas a presença de Portugal no mercado europeu, mas também a capacidade de manter o prestígio internacional construído ao longo dos anos, baseado na qualidade e no elevado padrão do tomate português, amplamente reconhecido pela indústria transformadora.
O tomate é um dos pilares da fileira agroalimentar portuguesa, setor fortemente orientado para a exportação e fundamental para a economia agrícola do país. Porém, para preservar esta relevância, é preciso enfrentar desafios estruturais, que vão desde a adaptação às condições climáticas até à mitigação das oscilações de mercado. A resposta passa pela união de toda a cadeia: indústria de sementes, produtores, indústria transformadora e decisores políticos. Somente com uma visão estratégica comum será possível reforçar a competitividade, garantir a sustentabilidade do setor e assegurar que Portugal continue a ser um dos protagonistas do tomate na Europa e no mundo.