Agrolink – Leonardo Gottems
O mercado de soja nos principais estados produtores do país segue um cenário de estabilidade, marcado por diferenças regionais no ritmo das lavouras, desafios logísticos e cautela na comercialização. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que, apesar de boas condições climáticas em algumas regiões, fatores como armazenagem, frete e incertezas climáticas seguem influenciando decisões dos produtores.
No Rio Grande do Sul, a safra caminha para um recorde histórico, com produção estimada em 21,4 milhões de toneladas. O plantio alcançou 96% da área prevista, com lavouras apresentando bom desenvolvimento vegetativo favorecido por chuvas frequentes e radiação solar adequada. A comercialização permanece travada, reflexo da postura defensiva do produtor após sucessivas perdas por seca, enquanto aguarda a confirmação das previsões climáticas que indicam probabilidade elevada de La Niña. Os preços mostraram leve recuo no interior e estabilidade no porto, em um ambiente de atenção aos custos logísticos, impactados por estradas vicinais danificadas.
Em Santa Catarina, a expectativa é de redução de 5,6% na produtividade devido a irregularidades climáticas no início do ciclo, embora o estado siga relevante para o abastecimento das indústrias de proteína animal. Os preços permanecem estáveis no mercado interno, com pressão negativa nos contratos futuros do porto, em meio a dificuldades de armazenagem e competição logística com fertilizantes da segunda safra.
No Paraná, 89% das lavouras são consideradas em boas condições, com colheita ainda incipiente. A desvalorização global afeta os preços, embora algumas regiões consigam maior sustentação. Já no Mato Grosso do Sul, o principal desafio é o déficit de armazenagem superior a 11 milhões de toneladas, que pode forçar vendas antecipadas à medida que a colheita avance, reduzindo o poder de negociação do produtor.
Em Mato Grosso, a colheita atinge quase 2% da área e avança de forma mais acelerada que no ano anterior, pressionando os preços físicos regionais. O alto custo do frete e a ocupação dos silos por milho remanescente reforçam a necessidade de escoamento imediato, mantendo o mercado cauteloso.

