Agro brasileiro cresce com sustentabilidade, inovação e energia renovável

Agrolink – Seane Lennon

O agronegócio brasileiro ampliou a produção nas últimas décadas com manutenção de áreas preservadas, adoção de tecnologias e maior uso de fontes renováveis de energia. A avaliação consta do estudo “Indicadores de Sustentabilidade do Agronegócio Brasileiro”, divulgado em 2026, que analisou indicadores de produção, uso da terra, matriz energética e impactos ambientais do setor no país.

De acordo com o levantamento, o agronegócio tem papel central no desempenho da balança comercial brasileira. Em 2025, o país registrou superávit de US$ 68,3 bilhões e, sem a contribuição do setor, o resultado teria sido um déficit superior a US$ 80 bilhões, conforme os dados consolidados no estudo.

O relatório aponta que o crescimento da produção ocorreu principalmente por ganhos de produtividade. Desde a safra 1985/86, a produção de grãos aumentou mais de 500%, enquanto a área cultivada apenas dobrou no período, o que, segundo o estudo, permitiu ampliar a oferta sem expansão proporcional das áreas agrícolas.

Ainda conforme o levantamento, esse movimento resultou na economia estimada de cerca de 147 milhões de hectares, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas. Dados da Embrapa Territorial, citados no estudo, indicam que aproximadamente 65,6% do território nacional está destinado à preservação da vegetação nativa, enquanto o uso agropecuário ocupa pouco mais de 30% da área do país.

O documento também registra a difusão de práticas e tecnologias no campo, como plantio direto, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária-floresta e uso de bioinsumos, associadas ao aumento de produtividade com menor impacto ambiental, de acordo com a avaliação dos autores do estudo.

Outro ponto abordado é a matriz energética brasileira. O estudo informa que 48% da energia consumida no país tem origem em fontes renováveis, frente a uma média global de 18%. Na geração de eletricidade, a participação dessas fontes chega a 89%, posicionando o Brasil entre os países com maior participação de renováveis nesse indicador.

Os biocombustíveis também são destacados no levantamento. Conforme os dados apresentados, o programa RenovaBio evitou a emissão de quase 200 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de cinco anos, segundo os resultados consolidados no estudo divulgado em 2026.

O estudo propõe uma agenda estratégica para ampliar a produção com sustentabilidade. Entre as principais ações estão:

  • recuperação de áreas degradadas;
  • uso de tecnologias digitais e agricultura de precisão;
  • expansão de bioinsumos e melhoramento genético;
  • produção de bioenergia e biocombustíveis;
  • políticas públicas de incentivo à descarbonização.
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