Agrolink – Leonardo Gottems
A rentabilidade das fazendas brasileiras segue marcada por diferenças expressivas entre propriedades, com impacto direto no resultado final por hectare. Levantamento da Aegro com 5.000 fazendas e sete safras consecutivas mostra que essa distância está ligada principalmente à gestão de custos e eficiência operacional.
Na safra 2024/25, as fazendas de melhor desempenho registraram lucro bruto de R$ 5.131 por hectare, enquanto a média nacional ficou em R$ 2.448. A lucratividade alcançou 52,8% nas propriedades mais eficientes, ante 27% no resultado médio. Parte dessa diferença é explicada pela produtividade, que chegou a 76,6 sacas por hectare nas melhores áreas, frente a 63,8 sacas na média nacional.
O principal fator, no entanto, está no controle de custos. As fazendas mais lucrativas operaram com custo 12% menor, somando R$ 4.590 por hectare, contra R$ 5.233 na média. Em uma área de 500 hectares, essa diferença representa ganho adicional de R$ 1,34 milhão em uma única safra.
Segundo Leandro Amaral, advogado do agronegócio, o cenário recente reforça a importância da gestão. O custo da soja no Brasil aumentou 138% em quatro anos, passando de R$ 2.729 para R$ 6.486 por hectare, enquanto o preço da saca subiu 96% no mesmo período. O avanço mais intenso dos custos, com destaque para fertilizantes que subiram 156%, reduziu margens e aumentou a pressão sobre produtores sem controle detalhado das despesas.
Com 22 anos de atuação no setor, Amaral aponta que dificuldades financeiras recorrentes têm origem em falhas de gestão, como ausência de dados confiáveis, custeio contratado sem projeções realistas e renegociações feitas sem diagnóstico completo do passivo. Nesse contexto, a organização financeira deixa de ser diferencial e passa a ser condição essencial para a continuidade da atividade.

