Agrolink – Leonardo Gottems
O ambiente econômico recente tem sido marcado por incertezas externas e sinais mistos na atividade doméstica, com impactos ainda indefinidos sobre inflação, câmbio e crescimento. De acordo com análise do Rabobank, o cenário internacional voltou a ganhar tensão após declarações do presidente dos Estados Unidos que frustraram expectativas de desescalada no Oriente Médio, combinando a promessa de redução gradual da operação no Irã com novas ameaças, o que reacendeu temores e pressionou os preços do petróleo.
Esse movimento externo ocorre ao mesmo tempo em que a economia brasileira apresenta sinais de recuperação. A produção industrial avançou 0,9% em fevereiro, segunda alta consecutiva no ano, superando levemente as expectativas do mercado. O desempenho reforça a leitura de retomada gradual da atividade, ainda que em ritmo moderado.
Na inflação, o IGP-M registrou alta de 0,52% em março, revertendo a queda observada no mês anterior e já refletindo os efeitos das tensões geopolíticas sobre os preços. No campo fiscal, o Governo Central apresentou déficit de R$ 30 bilhões em fevereiro, mas o resultado acumulado do primeiro bimestre mostra melhora em relação ao mesmo período de 2025, indicando um quadro de ajuste gradual.
O mercado de trabalho manteve abertura líquida de 255,3 mil vagas formais em fevereiro, embora o resultado seja inferior ao registrado nos últimos dois anos para o mesmo mês. Ainda assim, o nível de emprego segue consistente.
No câmbio, o real teve valorização de 1,6% frente ao dólar na última semana, encerrando cotado a 5,1573, um dos melhores desempenhos entre moedas emergentes. Apesar disso, a projeção segue em R$ 5,55 ao fim de 2026, diante das incertezas fiscais e externas.
Para os próximos dias, a atenção se volta à divulgação do IPCA de março, com expectativa de alta de 0,79%, além da balança comercial. No cenário regional, indicadores de inflação e decisões de juros também devem influenciar a percepção de risco.

