Agrolink – Leonardo Gottems
A disputa por espaço nas rações animais da China pode criar uma nova pressão sobre o milho brasileiro nos próximos anos. A avaliação é de Jardel Oliveira de Paula, gerente comercial, que aponta a cevada australiana como um fator capaz de alterar a dinâmica de importação de grãos pelo país asiático.
Com a normalização das relações comerciais entre Austrália e China, a cevada voltou a ocupar posição estratégica no mercado chinês. O movimento ocorre enquanto produtores, tradings e analistas acompanham principalmente as safras de milho do Brasil, dos Estados Unidos e da própria China, mas pode afetar a demanda pelo cereal brasileiro.
A competitividade entre os dois grãos depende, sobretudo, da relação de preços e da disponibilidade de produto com qualidade adequada. Quando a cevada se torna mais vantajosa, os fabricantes de ração ampliam rapidamente sua participação nas formulações. Em um cenário de preços mais próximos ou de oferta limitada de cevada premium, o milho recupera espaço e volta a ser uma alternativa competitiva.
A questão central é quanto da necessidade chinesa de milho poderá ser reduzida caso as compras de cevada australiana avancem. Parte da demanda potencial pelo cereal pode desaparecer, mas esse cenário não é automático. Se os problemas climáticos continuarem pressionando a produção da China e a oferta de cevada de melhor qualidade permanecer restrita, o país poderá ampliar ao mesmo tempo as importações dos dois grãos.
Para 2026/27, o mercado deverá observar não apenas o volume total comprado pela China, mas também a participação de cada produto nas rações, nos contratos e nas estratégias de abastecimento. A definição desse equilíbrio poderá abrir oportunidades comerciais antes que seus efeitos apareçam com clareza nos preços.

