Agrolink – Leonardo Gottems
A elevada volatilidade da soja exige decisões comerciais cautelosas, com atenção aos movimentos técnicos, ao clima nos Estados Unidos e à firmeza dos prêmios de exportação no Brasil. Segundo análise da TF Agroeconômica, a orientação é evitar negociações concentradas e distribuir as operações ao longo do tempo para reduzir riscos.
Para os produtores, a recomendação é não acelerar vendas durante quedas provocadas por fatores técnicos, como a realização de lucros dos fundos. Recuperações próximas de 1.230 centavos por bushel podem ser aproveitadas para vendas escalonadas da safra nova. Quem ainda possui soja disponível pode manter parte dos estoques, pois os fundamentos de médio prazo seguem relativamente favoráveis.
As cooperativas devem intensificar a comercialização escalonada e o uso de hedge, reduzindo a exposição às oscilações de Chicago. O fortalecimento dos prêmios de exportação também pode ser aproveitado para a originação de novos negócios.
Para cerealistas e tradings, a orientação é manter cautela diante da forte influência do clima norte-americano. A recomposição de estoques deve ocorrer gradualmente durante as correções, evitando posições excessivamente direcionais.
Indústrias e esmagadoras podem alongar parcialmente a cobertura de matéria-prima nos períodos de fraqueza em Chicago. Também devem acompanhar a demanda chinesa por farelo e óleo, já que uma recuperação dos derivados pode voltar a sustentar o grão. O cenário permanece neutro em Chicago e moderadamente altista no Brasil, condicionado à manutenção dos prêmios e do suporte técnico.

