Agrolink – Leonardo Gottems
A relação com a China ocupa posição central no desempenho do agronegócio brasileiro, mas também expõe riscos ligados à concentração das exportações. A avaliação é de Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Nas últimas duas décadas, o mercado chinês ampliou a demanda por produtos brasileiros, sustentando renda no campo, cadeias produtivas e o superávit comercial. A dependência, porém, é elevada em setores como soja e carne bovina, enquanto o Brasil vende principalmente commodities com menor processamento e importa máquinas, tecnologias e bens mais complexos.
A tendência é que a China continue como grande compradora, mas avance na diversificação de fornecedores, na redução de riscos e no domínio de tecnologias estratégicas. O país já investe em biologia avançada, proteínas alternativas, bioinsumos, ciência de dados e rastreabilidade.
Estudos prospectivos apontam que ganhos de produtividade e novas fontes de proteína podem diminuir a necessidade chinesa de soja importada ainda nesta década. Para o Brasil, o cenário reforça a importância de diversificar mercados, ampliar a inovação e agregar valor à produção.
Apesar das vantagens da agricultura tropical, da escala produtiva, da biomassa e da capacidade científica, a competitividade futura dependerá de decisões que reduzam a vulnerabilidade comercial e fortaleçam a presença tecnológica e industrial do agro.
“O agro brasileiro tem vantagens fortes, como agricultura tropical produtiva, múltiplas safras, biomassa abundante, bioenergia, produtores empreendedores, ciência reconhecida e escala continental. Apesar disso, tais vantagens não garantem liderança futura por inércia. Competitividade dependerá de inovação, agregação de valor e diversificação de mercados”, conclui.

