Agrolink – Leonardo Gottems
O mercado de trigo combina fundamentos de alta com uma correção técnica no curto prazo, cenário que exige decisões graduais de comercialização e proteção. Segundo a TF Agroeconômica, a volatilidade deve permanecer elevada, com pressão das vendas dos fundos e possibilidade de reações rápidas a novas tensões no Mar Negro.
Para produtores, a recomendação é evitar decisões concentradas. Quem ainda possui trigo da safra velha pode aproveitar preços favoráveis para vender parte dos estoques, sobretudo onde a oferta física está mais apertada. Na nova safra, a orientação é proteger a produção por etapas. Uma eventual recuperação de Chicago para a região de US$ 7,00 por bushel pode ser usada para ampliar fixações, sem comprometer toda a produção.
As cooperativas devem escalonar vendas e acompanhar Chicago, câmbio e bases regionais. No Paraná, onde a tendência é mais favorável e a disponibilidade sustenta os preços, altas podem ser usadas para reduzir estoques e ampliar a proteção das vendas futuras. Para quem precisa formar estoque para moinhos próprios, a recomendação é não deixar toda a necessidade de compra exposta a uma possível alta provocada pelo Mar Negro.
Para cerealistas, a estratégia deve ser tática, com atenção ao custo de reposição. No Paraná, a tendência ascendente pede cautela com posições vendidas. No Rio Grande do Sul, preços mais fracos podem abrir espaço para compras oportunísticas, sem excesso de estoque.
Já os moinhos devem proteger o abastecimento de forma gradual. A indicação é combinar compras físicas, hedge e flexibilidade para aproveitar correções de Chicago, acompanhando as diferenças de preços entre Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina. O principal risco é esperar uma queda maior e ser surpreendido por nova escalada internacional.

