Agrolink – Leonardo Gottems
A indústria de defensivos agrícolas entra em uma nova fase de competição, com o avanço de moléculas próprias e maior disputa pela margem ao longo da cadeia. Segundo análise de Christian Pereira, estrategista da Bizup Strategy, a China já deixou de atuar apenas no pós-patente e amplia sua presença em pesquisa e desenvolvimento.
“Porque a pergunta relevante não é se a China vai descobrir novas moléculas. É onde a margem vai morar quando ela descobrir. E a resposta incomoda: a patente protegia a molécula. Nunca protegeu a margem”, comenta.
O movimento aparece no crescimento de novos ingredientes ativos desenvolvidos por empresas chinesas, algumas delas já com compostos patenteados próprios. A avaliação é que a descoberta de moléculas deixa de ser a principal barreira e que a captura de valor passa cada vez mais por marca, formulação, registro, distribuição e proximidade com o cliente.
O caso da FMC é apontado como exemplo. Após o fim da patente do clorantraniliprole, a concorrência aumentou rapidamente, enquanto produtos vendidos com marca própria mostraram maior resistência do que as vendas do ingrediente técnico.
A análise também ressalta que as empresas chinesas estão em diferentes estágios de maturidade no Brasil. O principal risco para o setor está na combinação entre baixo custo, acesso ao mercado e moléculas próprias. “A próxima década talvez não seja uma disputa sobre quem descobre mais moléculas. Será sobre quem transforma molécula em posição. Porque molécula é tecnologia. Posição é tudo o que vem depois dela. E a patente compra tempo. Nunca comprou posição”, conclui.

