Agrolink – Leonardo Gottems
O mercado mundial de arroz entra na safra 2026/27 com sinais de maior equilíbrio entre oferta e demanda, mas também com sensibilidade crescente a eventuais problemas de produção. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, os dados de FAO e USDA indicam produção global ligeiramente menor, consumo em alta, estoques finais em queda e comércio internacional ainda elevado.
Nas últimas semanas, preços mais firmes na Índia, Tailândia e Vietnã, maior procura de importadores e preocupações com os efeitos do El Niño sobre a produção asiática reforçaram a atenção sobre o cenário. A FAO registrou alta de 3,2% no índice internacional de preços do arroz em junho, movimento associado principalmente à demanda asiática por arroz Indica e às incertezas climáticas.
Apesar desse ambiente, o mercado global ainda não está em situação de escassez. A Índia segue como principal exportador mundial e deve manter estoques elevados, embora esse volume não represente necessariamente disponibilidade imediata no mercado aberto. A expectativa de menor oferta, mesmo antes de uma eventual quebra de safra, pode estimular antecipação de compras e aumentar a volatilidade.
Para o Brasil, o debate sobre a área de 2026/27 passa pela capacidade de atender de forma competitiva uma possível demanda adicional no mercado internacional. A análise considera consumo interno, exportações, estoques, oferta do Mercosul, clima, preços externos e competitividade. A proposta é calibrar a produção de acordo com a demanda que pode ser efetivamente atendida e remunerada, buscando equilíbrio entre a oferta atual e as oportunidades futuras.

