Agrolink – Leonardo Gottems
A digitalização do sistema financeiro abre espaço para que ativos ambientais e territoriais do agronegócio deixem de ser vistos apenas como elementos de conformidade e passem a ter impacto econômico na avaliação de risco, crédito e investimentos. A avaliação é de Sergio Rocha, CEO e fundador da Agrotools, que aponta a tokenização de ativos reais como uma das transformações capazes de conectar informações ambientais confiáveis ao mercado financeiro.
A tokenização permite representar digitalmente ativos físicos e financeiros, que podem ser fracionados e, dependendo da estrutura, negociados com maior agilidade. No agronegócio, esse movimento pode alcançar créditos de carbono, projetos de restauração, geração de energia renovável e outros ativos ambientais que possam ser mensurados, comprovados e auditados.
O avanço ocorre em um cenário no qual dados sobre localização, histórico ambiental, embargos, uso do solo e riscos climáticos ganham peso nas decisões de bancos, seguradoras, tradings e empresas compradoras. Com isso, características territoriais que podem restringir o acesso ao crédito quando associadas a irregularidades também podem contribuir para demonstrar menor exposição a riscos quando devidamente comprovadas.
A confiança, porém, é uma condição essencial para que esses ativos tenham valor financeiro. É necessário garantir existência, localização, integridade, titularidade e, quando aplicável, adicionalidade, além de evitar dupla contagem. Nesse processo, o cruzamento de dados territoriais, ambientais, climáticos, financeiros e de mercado pode ampliar a capacidade de avaliação.
Segundo Rocha, a inteligência territorial tende a assumir papel crescente nessa transformação. A possibilidade de comprovar e monitorar ativos naturais pode tornar a informação ambiental uma nova camada de infraestrutura financeira, influenciando crédito, seguros, rastreabilidade e o valor econômico associado ao território.

