Agrolink – Leonardo Gottems
A qualidade e a continuidade da produção de café dependem cada vez mais da capacidade de preservar e recuperar a saúde dos solos. Segundo Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, a biologia presente no solo e muitas vezes não mensurada pode ser determinante para o desempenho das lavouras e para a qualidade do produto colhido.
Anos de cultivo intensivo em regiões que naturalmente abrigariam florestas de montanha contribuíram para o esgotamento de muitos solos. Nesse cenário, práticas de agricultura regenerativa passaram a ganhar escala como forma de recuperar áreas produtivas, reduzir riscos e aumentar a sustentabilidade da cadeia cafeeira.
Os resultados apresentados mostram avanço dessa estratégia. Em 2025, a Nestlé treinou mais de 100 mil agricultores em 15 países por meio do Nescafé Plan. Mais de 400 mil hectares de cafezais já estavam cobertos pelo programa. No mesmo período, as emissões de gases de efeito estufa associadas ao café verde cultivado sob essas práticas ficaram 18,3% abaixo do nível registrado em 2018.
A companhia também superou antecipadamente a meta de chegar a 50% de café de origem regenerativa até 2030. Em 2025, a participação já havia alcançado 53%.
A avaliação apresentada é que uma cadeia produtiva apoiada em solos degradados tende a enfrentar maiores dificuldades no longo prazo. Em sentido contrário, a melhoria contínua da terra pode favorecer plantas mais produtivas, safras consistentes e maior qualidade.
Um artigo de Pascal Chapot, Head of Agriculture da Nestlé, publicado pela Nestlé Global, também reforça o compromisso da empresa com a regeneração a partir do solo. Para Jacques Dieu, transformar a ciência do solo em informações mensuráveis permite identificar o que funciona, corrigir práticas e avaliar a eficiência de manejos regenerativos e insumos biológicos. O desafio passa, portanto, por medir a atividade existente sob a superfície e usar esses dados na tomada de decisão.

