Agrolink – Leonardo Gottems
O agronegócio brasileiro discute novas estratégias para ampliar a produtividade nos próximos anos, e uma das apostas para 2026 foi detalhada por Bruno Ract, executivo de estratégia e novos negócios da Ultra Clean Brasil. Ele abordou um problema pouco visível nas operações do campo e que, segundo análises do setor, pode comprometer significativamente o desempenho das lavouras, especialmente entre pequenos e médios produtores.
O setor fechou 2025 com resultados expressivos. Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil apontam crescimento aproximado de 8,0% no PIB do agronegócio, que passou a representar cerca de 29% do PIB nacional. Já os dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam uma produção de 354,75 milhões de toneladas na safra 2024/25, com a soja respondendo por 177,6 milhões de toneladas. Apesar dos números elevados, especialistas avaliam que parte desse potencial ainda é perdida por falhas operacionais recorrentes.
De acordo com o executivo, um dos principais gargalos está no sistema hidráulico das máquinas agrícolas. Mangueiras hidráulicas chegam às propriedades com resíduos provenientes do processo industrial e de montagem, o que provoca a contaminação de tratores, plantadeiras, colheitadeiras e outros equipamentos. Essa sujidade afeta diretamente o funcionamento do sistema hidráulico e reduz a eficiência das operações no campo.
A contaminação acelera o desgaste de componentes como bombas, válvulas, sensores e atuadores, aumentando a necessidade de substituição de peças e gerando paradas não programadas. Além dos custos diretos de manutenção, o produtor também sofre perdas produtivas devido ao tempo em que a máquina permanece fora de operação durante períodos críticos da safra.
A estratégia apresentada na entrevista consiste na eliminação preventiva dessa contaminação por meio da limpeza completa das mangueiras hidráulicas antes que elas comprometam o sistema. A adoção de tecnologias que realizam esse processo de forma rápida e a seco, diretamente na propriedade, é apontada como um fator capaz de preservar o desempenho dos equipamentos e elevar a produtividade agrícola em até 20% a partir de 2026.

