Agrolink – Aline Merladete
Entre os dias 22 e 28 de janeiro, o Rio Grande do Sul enfrentou uma intensa onda de calor, com temperaturas próximas dos 40 °C em diversas regiões. A situação preocupa produtores e técnicos, com reflexos diretos sobre lavouras, pastagens e bem-estar animal.
Segundo dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, a atuação de um sistema de alta pressão garantiu tempo estável durante toda a última semana de janeiro no Rio Grande do Sul. Sem nuvens e com escassez de chuvas, as temperaturas máximas aumentaram progressivamente. Nos dias 27 e 28, o calor intenso tomou conta do território gaúcho, com máximas chegando a 39,2 °C em Santo Antônio das Missões.
O interior do estado foi o mais impactado, com registros generalizados acima dos 38 °C. Por outro lado, a precipitação ficou muito abaixo do necessário: apenas pontos isolados receberam volumes entre 5 e 20 mm, sendo o maior acumulado em Santa Vitória do Palmar (19,9 mm).
A combinação de calor elevado, alta radiação solar e ventos frequentes intensificou a perda de umidade nos solos, principalmente nas regiões de solo mais raso ou arenoso. Nas lavouras de soja, em especial as em floração e enchimento de grãos — fases mais sensíveis à falta de água — já são observados sinais fisiológicos de estresse hídrico. Caso o quadro persista, há risco de perda no pegamento de vagens.
Mesmo com o potencial produtivo ainda considerado elevado, a manutenção depende da regularização das chuvas nas próximas semanas. No milho, lavouras de sequeiro estão adiantando o fim do ciclo por conta da escassez hídrica, o que pode impactar no peso dos grãos. Já nos cultivos irrigados, o rendimento se mantém estável.
Na bovinocultura de corte e leite, o calor excessivo provocou estresse térmico nos rebanhos. O desempenho animal, especialmente na produção leiteira, pode ser comprometido se medidas de manejo não forem adotadas rapidamente.
As pastagens, embora ainda apresentem boa disponibilidade de forragem, já sofrem com redução na qualidade, exigindo maior atenção na gestão das lotações.
Segundo o boletim, o padrão atmosférico de alta pressão deve continuar nos próximos dias. Entre 29 de janeiro e 4 de fevereiro, a previsão é de tempo estável e chuvas escassas. A temperatura, que terá leve declínio no início do período, volta a subir a partir de 1º de fevereiro, reforçando o cenário de estresse térmico e hídrico.

