China avança em plano de autossuficiência em soja

Agrolink – Leonardo Gottems

A China tem reforçado sua estratégia para reduzir a dependência externa na cadeia de grãos, com atenção especial à soja, ao anunciar medidas voltadas à estabilização da produção e ao fortalecimento da autossuficiência em sementes. A análise é de Isan Rezende, presidente da FEAGRO MT, que aponta o movimento como parte de um plano estruturado de segurança alimentar e soberania agrícola.

O recorde de 714,9 milhões de toneladas de grãos colhidos em 2025, com crescimento de 1,2% sobre o ano anterior, representa mais do que um avanço pontual. O resultado se insere em uma estratégia nacional de longo prazo, alinhada ao plano de transformação rural e modernização tecnológica lançado em abril de 2025, com horizonte até 2035. Dentro desse contexto, a soja ocupa papel central por ser insumo essencial na produção de proteína animal e óleo vegetal.

O avanço dessa política chinesa traz reflexos diretos para o Brasil, principal fornecedor da oleaginosa ao país asiático. Em julho de 2025, o produto brasileiro respondeu por 89% das importações chinesas de soja, evidenciando um alto grau de dependência comercial que tende a ser revisto à medida que a China amplia sua capacidade produtiva interna.

Diante desse novo cenário, o agronegócio brasileiro é pressionado a acelerar uma transição estratégica. A diversificação de mercados compradores, a ampliação da exportação de produtos com maior valor agregado e o aumento da produtividade ganham relevância. Investimentos em tecnologia, genética adaptada, manejo sustentável e diferenciação comercial passam a ser determinantes para manter competitividade.

Além disso, o fortalecimento da infraestrutura logística, a adoção de instrumentos de proteção contra oscilações de preços e o avanço em práticas sustentáveis surgem como fatores-chave. 

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