Agrolink – Aline Merladete
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue pressionado, em meio à baixa liquidez, à postura cautelosa dos compradores e à resistência dos produtores. Segundo o Cepea, a desvalorização do dólar frente ao Real reduziu a competitividade do arroz brasileiro no mercado externo e desacelerou a demanda internacional, fator que vinha sustentando parte dos preços.
De acordo com informações divulgadas pelo Cepea, o mercado gaúcho de arroz em casca permanece travado, com negócios limitados e compradores mais atentos ao comportamento dos preços. A cautela ocorre em um ambiente de menor sustentação externa, já que a queda do dólar diante do Real enfraquece a competitividade do produto brasileiro fora do país.
Esse movimento afeta diretamente a dinâmica de formação das cotações, uma vez que a demanda internacional vinha sendo um dos principais pontos de apoio para os preços do arroz. Com menor atratividade nas exportações, o mercado interno passa a sentir maior pressão, enquanto produtores resistem a negociar em patamares considerados pouco atrativos.
Conforme avaliação do Cepea, a desvalorização da moeda norte-americana frente ao Real contribuiu para enfraquecer as cotações do arroz em casca. Na prática, o câmbio menos favorável torna o produto brasileiro relativamente mais caro no mercado internacional, o que reduz o ritmo de compras externas. Esse cenário limita a liquidez no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país, e reforça a distância entre as expectativas de vendedores e compradores. Enquanto a indústria demonstra cautela, produtores buscam preservar margem em um momento de incerteza sobre a direção dos preços.
No cenário internacional, novas projeções divulgadas pelo USDA apontam para uma safra mundial 2026/27 com produção menor, consumo recorde e estoques mais ajustados. Segundo o USDA, a produção global de arroz beneficiado deverá totalizar 537,9 milhões de toneladas, volume 0,9% inferior ao registrado na temporada 2025/26.
Pelo lado da demanda, o órgão norte-americano projeta consumo global recorde de 541,3 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 0,7% frente à safra anterior. Com isso, os estoques mundiais devem recuar 1,8%, para 192,7 milhões de toneladas ao final da temporada 2026/27.
A relação entre estoque final e consumo também deve diminuir, passando de 36,5% na temporada anterior para 35,6% em 2026/27, segundo o USDA. O indicador sinaliza um quadro global menos confortável, embora seus efeitos sobre os preços no Brasil dependam também do câmbio, da demanda externa e do ritmo de comercialização interna.
No mercado nacional, a Conab revisou levemente para baixo a estimativa da safra brasileira 2025/26. Ainda que o ajuste indique menor oferta doméstica, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue condicionado ao comportamento da demanda, especialmente diante da menor competitividade externa provocada pelo câmbio. A combinação entre resistência dos produtores, cautela dos compradores e perda de fôlego das exportações mantém o ambiente de negócios limitado. Ao mesmo tempo, o quadro global de consumo recorde e estoques menores pode ganhar relevância nas próximas avaliações, caso a demanda internacional volte a se fortalecer.
O curto prazo para o arroz em casca no Rio Grande do Sul tende a seguir dependente da liquidez interna e da reação do mercado externo. Embora as projeções do USDA indiquem fundamentos globais mais apertados para 2026/27, a valorização do Real frente ao dólar reduz a competitividade do produto brasileiro e limita a sustentação das cotações.

