Agrolink – Leonardo Gottems
O mercado de trigo no Sul do país apresenta sinais de recuperação, com reajustes nos preços e mudanças na dinâmica de oferta e demanda. Levantamento da TF Agroeconômica indica que há maior firmeza nas negociações, especialmente diante da restrição de produto de melhor qualidade.
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com negócios para maio apontando valores mais elevados. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente retornarão, em função da escassez de trigo de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, lotes superiores ainda disponíveis tendem a ganhar valorização. O preço ao produtor também avançou, chegando a R$ 57,00 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, o mercado segue pressionado pela oferta de trigo gaúcho, com negociações ao redor de R$ 1.120 por tonelada mais frete, que alcança cerca de R$ 196, resultando em valores próximos de R$ 1.315 CIF. Também há ofertas locais em torno de R$ 1.300 CIF. O aumento dos custos, especialmente logísticos, levou a reajustes médios de 3% nos preços das farinhas, movimento absorvido pelo mercado. A disponibilidade de trigo branqueador continua limitada, com prêmios adicionais, enquanto parte dos lotes apresenta qualidade inferior para panificação. Os preços ao produtor variam entre R$ 59,00 e R$ 65,00 por saca, dependendo da região.
No Paraná, o mercado permanece firme, porém com ritmo lento de negociações. As ofertas no norte variam de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada, com negócios entre R$ 1.370 e R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, as indicações giram em torno de R$ 1.300 CIF. A menor movimentação está relacionada à colheita de soja e milho, que reduz a atuação dos produtores no trigo. No segmento importado, a procura por qualidade mantém o mercado aquecido, com trigo argentino acima de 12% de proteína ao redor de US$ 295 por tonelada e o paraguaio próximo de US$ 260 CIF.

