Agrolink – Aline Merladete
O mercado do trigo no Brasil continua pressionado, refletindo o avanço das importações e os estoques elevados. Segundo informações divulgadas pela CEEMA, a média de preços no Rio Grande do Sul ficou em R$ 69,88/saca, enquanto no Paraná as cotações giraram entre R$ 75,00 e R$ 76,00/saca.
Em Chicago, o trigo fechou a semana em US$ 5,07/bushel, após ter recuado para US$ 4,98 no início do período. Nos Estados Unidos, a colheita de inverno já chegou a 94% da área, enquanto a de primavera atingiu 36%, em linha com a média histórica.
Apesar do USDA ter reduzido a projeção de safra da Argentina para 19 milhões de toneladas, analistas locais seguem estimando mais de 20 milhões. Esse volume reforça a competitividade do cereal argentino, que, ao lado do trigo paraguaio, vem aumentando sua presença no mercado brasileiro.
No Brasil, a Conab estima a safra entre 7,5 e 7,8 milhões de toneladas, com área cultivada de 2,55 milhões de hectares, 16,7% abaixo do ciclo anterior. A expectativa é de produtividade maior, com alta projetada de 19%. Ainda assim, os estoques finais do ciclo 2024/25 terminaram acima do ano passado, pressionados pelas importações.
Os preços internos estão sendo diretamente influenciados pela paridade de importação. No Paraná, moinhos negociaram trigo CIF entre R$ 1.300 e R$ 1.350/tonelada, enquanto o cereal argentino e paraguaio chegou a ser ofertado entre R$ 1.250 e R$ 1.450/tonelada, reforçando a pressão sobre o produto nacional.
Além disso, as recentes geadas devem reduzir a safra no Paraná e em São Paulo, bem como no Paraguai, onde se estima quebra de até 250 mil toneladas. Ainda assim, os preços não reagiram, diante da forte oferta externa e do câmbio valorizado, que barateia as importações.
No campo, o plantio e o desenvolvimento seguem em ritmo mais lento no Rio Grande do Sul, com apenas 4% das lavouras em floração até meados de agosto. No Paraná, 81% das lavouras estavam em boas condições, sinalizando potencial produtivo, ainda que o mercado interno continue travado.
O cenário indica que o trigo brasileiro seguirá enfrentando dificuldades para ganhar espaço frente às importações, mantendo os preços sob pressão e limitando a rentabilidade dos produtores no curto prazo.