Agrolink – Leonardo Gottems
O cenário econômico recente foi marcado por decisões de política monetária, dados de inflação e movimentos no mercado de câmbio, em um ambiente ainda influenciado por incertezas externas e domésticas. Segundo análise do Rabobank, no exterior, nos Estados Unidos, houve o anúncio da nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, enquanto a autoridade monetária manteve a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, decisão alinhada às expectativas do mercado.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária decidiu de forma unânime manter a taxa Selic em 15% e sinalizou que o início do ciclo de flexibilização monetária deve ocorrer em março, antecipando a avaliação anterior que apontava abril como cenário mais provável. A leitura é de que o colegiado demonstra maior conforto com a trajetória das expectativas de inflação.
No mercado de câmbio, apesar da incerteza fiscal e política interna, o dólar encerrou a semana anterior cotado a R$ 5,2631, o que representou valorização de 0,40% do real, o quarto melhor desempenho semanal entre 24 moedas emergentes. Ainda assim, a expectativa é de que a moeda americana termine o ano em R$ 5,60, mesmo com o diferencial de juros e o enfraquecimento global do dólar.
Os dados de inflação mostraram sinais mistos. O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, levemente abaixo do registrado no fim do ano passado, com alguns itens de saúde e comunicação limitando uma desaceleração mais intensa. Já o IGP-M voltou a acelerar, com alta de 0,41% no mês, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços de commodities e pela elevação do IPA industrial.
No campo fiscal, o resultado primário de 2025 permaneceu negativo, influenciado pelos déficits do governo central e das estatais, embora a meta fiscal tenha sido formalmente cumprida. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego encerrou o ano em 5,1%, novo mínimo histórico, reforçando a resiliência da atividade econômica.

