Juros caem, mas cautela limita novos cortes

Agrolink – Leonardo Gottems

A política monetária entrou em uma nova etapa de flexibilização, mas o ritmo dos próximos movimentos seguirá condicionado à evolução da inflação e das expectativas. Segundo análise do Rabobank, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, em linha com a expectativa da instituição e de grande parte do mercado.

O comitê avaliou que a trajetória atual dos juros é compatível com a continuidade da convergência da inflação para a meta de 3,0%. Ao mesmo tempo, manteve uma postura cautelosa diante da desancoragem das expectativas e destacou que o balanço de riscos segue com assimetria de alta, em um ambiente de incerteza que exige maior prudência na condução da política monetária.

Sem indicar previamente os passos seguintes, o Copom sinalizou que as próximas decisões dependerão da confirmação, pelos dados, dos efeitos diretos e indiretos sobre os preços. Embora os indicadores de inflação cheia e subjacente, assim como a atividade econômica, mostrem desaceleração na margem, a projeção para o primeiro trimestre de 2028 permaneceu em 3,2%.

As expectativas dos agentes melhoraram para 2026, passando de 5,3% para 5,0%, mas pioraram para 2027, de 4,1% para 4,2%, e para 2028, de 3,7% para 3,8%. Diante desse quadro, o Rabobank considera que a Selic pode ter piso de 13,75% na reunião de setembro. A instituição mantém a projeção de ausência de novos cortes em 2026, com retomada do ciclo apenas em abril de 2027 e taxa de 12,50% ao fim daquele ano.

A ata da reunião, prevista para 11 de agosto, deverá trazer mais detalhes sobre a reação do comitê ao cenário de inflação e atividade. O documento, somado aos próximos indicadores, poderá levar a ajustes nas projeções atuais.

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