Agrolink – Aline Merladete
A laranja deve ter safra menor no cinturão citrícola em 2026/27. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, com base na primeira estimativa do Fundecitrus, a produção deve alcançar 255,20 milhões de caixas de 40,8 quilos.
O volume representa queda de 12,9% em relação à safra anterior. Também fica 14,7% abaixo da média dos últimos dez anos, reforçando o quadro de oferta mais limitada.
A redução ocorre por combinação de bienalidade negativa, menor número de frutos por árvore e aumento da queda prematura. Esses fatores superaram o efeito positivo do maior peso médio dos frutos, estimado em 160 gramas no ponto de colheita.
O clima também pesou sobre a produção. As chuvas abaixo da média no segundo semestre de 2025 prejudicaram o desenvolvimento da safra, enquanto temperaturas elevadas e ventos intensos afetaram florescimento e pegamento.
O avanço do greening segue como fator de risco para a citricultura. Na safra 2025/26, a estimativa inicial de 314 milhões de caixas foi revisada 7% para baixo, evidenciando a pressão sanitária sobre os pomares.
Apesar da safra menor, a reação de preços pode ser limitada. A indústria está bem estocada, as exportações de suco seguem mais lentas e os preços pagos pela laranja posta à indústria recuaram para R$ 26,20 por caixa, nível próximo ao observado em 2021 e abaixo do custo de muitos citricultores.

