Agrolink – Aline Merladete
Os preços do trigo tiveram comportamentos diferentes entre os estados acompanhados pelo Cepea na passagem de janeiro para fevereiro de 2026, com quedas no Sul (em parte) e sustentação/altas em outros mercados. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o cenário reflete tanto o nível de estoques quanto a dinâmica de compras no mercado spot e a postura de vendedores e compradores.
Em Santa Catarina e no Paraná, as médias mensais recuaram frente a janeiro. De acordo com o boletim, o movimento esteve ligado a estoques considerados confortáveis e à menor necessidade de compra imediata por parte dos demandantes no spot, o que ampliou a pressão sobre as cotações.
Ainda segundo dados divulgados pelo Cepea, Santa Catarina registrou preço médio de R$ 1.146,62 por tonelada em fevereiro. O valor representa queda de 1,1% em relação a janeiro de 2026 e recuo de 18% frente a fevereiro de 2025.
No Paraná, a média mensal ficou em R$ 1.169,18 por tonelada. O número indica baixa de 0,8% no comparativo mensal e diminuição de 17,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme levantamento do Cepea.
Já em São Paulo e no Rio Grande do Sul, os preços mostraram maior sustentação — e até avanço — no mês. Pesquisadores do Cepea apontam que a oferta disponível no spot foi mais limitada pela postura firme do vendedor e que houve expectativa de maior demanda no curto prazo, fatores que ajudaram a manter os valores.
Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.291,83 por tonelada, com alta de 2,8% sobre janeiro, embora ainda 18,5% abaixo do patamar de fevereiro de 2025, segundo dados divulgados pelo Cepea. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.073,10 por tonelada, com avanço mensal de 2,1%; no comparativo anual, porém, houve queda de 17,3% em termos reais, conforme o Cepea.
O retrato de fevereiro indica, portanto, um mercado dividido: onde a reposição foi menos urgente e os estoques pesaram, os preços cederam; onde a disponibilidade no spot ficou mais curta e a demanda é vista com maior potencial no curto prazo, as cotações resistiram. Para agentes da cadeia, o acompanhamento do ritmo de compras e do volume efetivamente ofertado tende a seguir determinante para o comportamento do trigo nas próximas semanas, segundo a leitura apresentada no boletim do Cepea.

