Agrolink – Aline Merladete
A decisão de iniciar a semeadura do algodão pode ser o divisor de águas da lavoura. A janela ideal não depende só da ausência de chuvas, mas de uma combinação de umidade adequada no perfil, temperatura favorável à germinação e previsão de chuvas sem extremos — fatores que reduzem o risco de embuchamento, falhas de emergência e perdas por encharcamento ou seca logo após o plantio.
De acordo com publicações técnicas da Embrapa, a condição considerada mais segura é quando o solo está úmido, porém não encharcado, com temperatura adequada para germinação — referência que aparece em recomendações para o algodoeiro herbáceo de sequeiro, associando o plantio ao equilíbrio entre água e calor no solo.
Solo “úmido, não encharcado”: o alvo é a capacidade de campo
Na prática, o “ponto” de umidade buscado no plantio é próximo da capacidade de campo — quando o solo já drenou o excesso de água, mas ainda mantém umidade suficiente para sustentar a germinação e a emergência. Segundo a Embrapa, em materiais voltados ao manejo de irrigação, a orientação é que a semeadura ocorra em solo úmido, e que a água aplicada antes do plantio (em áreas irrigadas) seja suficiente para elevar a umidade até a capacidade de campo no perfil considerado para o manejo.
Esse cuidado tem efeito direto na uniformidade do estande. Em solo com excesso de água, a falta de oxigênio pode limitar o desenvolvimento inicial; já no plantio com pouca umidade, a semente pode atrasar a germinação e emergir de forma desuniforme, elevando a chance de “buracos” na linha e necessidade de replantio.
Temperatura do solo também define a arrancada
Além da água, o algodão exige temperatura favorável para germinar com vigor. De acordo com recomendações técnicas da Embrapa, a condição ideal de plantio é associada a temperaturas em torno de 25°C a 30°C, justamente para garantir emergência mais rápida e uniforme.
Na rotina do campo, isso significa que chuva isolada não resolve: se o solo está úmido, mas frio, a emergência tende a demorar mais — e a lavoura perde uniformidade logo no início do ciclo.
Profundidade e contato semente-solo entram no pacote
Outro ponto que interfere no aproveitamento da umidade é a regulagem de semeadura. No conteúdo técnico da Embrapa sobre semeadura, a orientação é depositar a semente em profundidade por volta de 2,5 a 3,0 cm, com adubação posicionada a uma distância mínima lateral e abaixo da semente, evitando efeitos negativos na germinação.
Já em referência da Embrapa voltada ao cultivo no Cerrado, a profundidade pode variar conforme textura e capacidade de armazenamento de água do solo, reforçando que a regulagem precisa acompanhar as condições do talhão — especialmente em anos de chuva irregular.
Chuva pós-plantio
A previsão do tempo dos dias seguintes também pesa na decisão. O plantio em solo no limite “apostando” na chuva aumenta o risco em caso de veranico; por outro lado, entrar com o solo muito úmido e enfrentar nova sequência de precipitações eleva a chance de encharcamento e problemas de emergência. A orientação técnica, portanto, é buscar a combinação de solo no ponto e janela climática mais estável para sustentar a germinação e o estabelecimento inicial.
O que observar antes de entrar com a semeadora
Com base nas referências da Embrapa, o produtor tende a reduzir risco quando prioriza:
– solo úmido, sem excesso (próximo à capacidade de campo);
– temperatura favorável para germinação (faixa ideal citada em torno de 25°C a 30°C);
– semeadura bem regulada, com profundidade indicada e bom contato semente-solo;
– previsão de chuvas sem extremos no período logo após o plantio.
Com esse olhar atento à umidade, temperatura e clima, o produtor protege a safra com uma base mais sólida para produtividade e eficiência no manejo.

