Agrolink – Leonardo Gottems
O debate sobre o papel da ciência no desenvolvimento do país ganha peso diante das transformações da agricultura e da necessidade de novas tecnologias para enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais. A avaliação é de Evaldo F. Vilela, membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Brasileira de Ciências, pesquisador emérito do CNPq, gestor de redes de pesquisa da Fundação Araucária e ex-reitor da UFV.
Segundo ele, o momento exige reflexão profunda sobre o financiamento da pesquisa no Brasil, especialmente na área agronômica, diante de uma agricultura cada vez mais dependente de conhecimento científico e inovação. O avanço do setor, em um mundo em rápida mudança, tende a exigir soluções conectadas diretamente à ciência agronômica e a outras áreas do conhecimento.
Vilela observa que os obstáculos para colocar a ciência como eixo central do desenvolvimento nacional são históricos. Para ele, esse quadro se torna mais preocupante diante da perda de soberania tecnológica no agro e das mudanças geopolíticas que desafiam o país. O pesquisador defende que não há desenvolvimento socioeconômico sem investimento em ciência, que retorna à sociedade por meio de impostos, empregos e melhoria da qualidade de vida.
O texto destaca que a ciência agronômica brasileira é robusta e possui conexão com diferentes campos do conhecimento. O país já demonstrou competência na produção científica, mas precisa avançar na apropriação dos conhecimentos e tecnologias que gera. Isso envolve proteger criações, transformar pesquisa em bem social e em negócios, além de estruturar planejamento e políticas públicas de Estado.
“Preocupa-nos um futuro marcado pelas desigualdades e injustiças, em um Brasil que, embora afirme combater corretamente o negacionismo à ciência, ainda hesita em enfrentar o essencial: um país que ainda prescinde da ciência como estratégia para evoluir”, conclui.

