Agrolink – Leonardo Gottems
O sorgo amplia espaço na agricultura brasileira e ganha relevância no planejamento da segunda safra, apoiado por custos mais baixos, menor exposição ao risco e novas frentes de demanda. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, os dados da Conab mostram que a temporada 2025/26 alcançou a maior área plantada da série histórica no país, com Goiás na liderança do ranking.
A expansão da cultura também chama atenção pelos efeitos sobre a cadeia de insumos. O sorgo é conhecido por exigir menor investimento por hectare, com consumo reduzido de fertilizantes e um pacote tecnológico, em geral, mais enxuto do que o utilizado no milho. Esse perfil pode alterar a demanda por defensivos, adubos e outros produtos, além de influenciar estratégias comerciais e relações de troca nos próximos ciclos.
Outro fator que favorece o cereal é a flexibilidade no calendário. Em situações em que o produtor perde a janela ideal do milho, o sorgo surge como alternativa para reduzir riscos e manter o planejamento da segunda safra. A possibilidade de avanço do El Niño reforça essa avaliação, levando produtores a considerar a cultura com mais atenção na tomada de decisão.
Do lado da demanda, o Brasil vem ganhando protagonismo nas exportações de sorgo, enquanto o consumo pelas usinas de etanol também aumenta. Esse movimento ajuda a sustentar a perspectiva de nova expansão da área em 2026/27.
Com a consolidação desse cenário, o sorgo pode passar a ser visto não apenas como uma opção defensiva, mas como uma cultura capaz de receber investimentos mais estruturados. Para o mercado de insumos, acompanhar essa mudança será essencial para entender os impactos sobre o consumo e o posicionamento comercial nos próximos anos.

