Agrolink – Aline Merladete
A área semeada com trigo no país ficou em 2,04 milhões de hectares, redução de 17% diante do ciclo anterior. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, com dados da Conab, a produção brasileira passou a ser estimada em 5,8 milhões de toneladas, queda de 26%.
Apesar do corte, as lavouras apresentavam condições relativamente favoráveis. O Paraná mantinha bom potencial produtivo, o Rio Grande do Sul mostrava desenvolvimento satisfatório e Santa Catarina registrava boas condições sanitárias. A maior umidade no território gaúcho, no entanto, já aumentava a pressão de doenças, conforme a Consultoria Agro do Itaú BBA.
O El Niño será determinante nas próximas etapas. Segundo o relatório, uma intensificação do fenômeno pode elevar os volumes de chuva sobre o Sul, aumentando os riscos de doenças e de perda de qualidade na fase final de desenvolvimento e durante a colheita, principalmente no Rio Grande do Sul.
No cenário mundial, o USDA projetou oferta global de 819 milhões de toneladas. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, a produção norte-americana foi revisada para 41,7 milhões de toneladas e os estoques finais dos EUA para 19,5 milhões, queda de 22% em relação à temporada anterior. Mesmo com a Rússia projetando 89 milhões de toneladas, a combinação entre estoques menores, redução da produção europeia e problemas no Mar Negro mantém um ambiente de suporte aos preços.

