Agrolink – Seane Lennon
Os preços da ureia nos portos brasileiros registraram a sexta semana consecutiva de queda. A avaliação é de Tomás Pernías, que atribui o movimento a um cenário global.
Segundo o analista da StoneX, compradores seguem adotando uma postura cautelosa diante dos preços ainda considerados elevados e das relações de troca pouco atrativas para o produtor, fatores que têm reduzido o ritmo das negociações. “Os preços da ureia no Brasil acumularam queda de cerca de 25% nos portos nas últimas seis semanas, refletindo um cenário global de demanda enfraquecida”, afirma Pernías.
Apesar da trajetória de baixa observada nas últimas semanas, as cotações permanecem acima dos níveis registrados antes do conflito no Oriente Médio. De acordo com o especialista, a principal explicação está nas restrições logísticas provocadas pela paralisação da navegação no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do comércio global de fertilizantes.
A interrupção das operações na região continua limitando a oferta internacional de produtos nitrogenados, como ureia, amônia e enxofre, o que impede uma queda mais acentuada dos preços.
Outro fator acompanhado pelo mercado foi a nova licitação promovida pela Índia, tradicionalmente considerada um elemento de sustentação para as cotações globais. No entanto, segundo Pernías, a medida não foi suficiente para alterar o comportamento recente do mercado. “Nem mesmo a nova licitação da Índia, tradicionalmente vista como fator de suporte para o mercado, foi suficiente para reverter a tendência recente, reforçando a percepção de fragilidade da demanda global”, destaca o analista.
O cenário indica que, embora os problemas de oferta ainda sustentem parte dos preços internacionais, a demanda segue sendo o principal fator de influência sobre o mercado de ureia no curto prazo.

