Chuvas atrasam colheita de café

Agrolink – Aline Merladete

O Brasil começou a safra 2026/27 com exportações de café acima do ritmo registrado na abertura do ciclo anterior. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço dos embarques ocorre mesmo diante de dificuldades provocadas pelo excesso de umidade em importantes regiões produtoras de café arábica.

As chuvas registradas em junho e julho em Minas Gerais e São Paulo interferiram diretamente no andamento da colheita e no processo de secagem dos grãos nos terreiros. De acordo com o Cepea, sem esses obstáculos climáticos, o desempenho das exportações poderia ter sido ainda mais expressivo neste início de temporada.

O impacto das precipitações também chegou à disponibilidade do produto. Com os trabalhos de colheita avançando de forma mais lenta, há menor volume de café beneficiado e preparado para seguir aos embarques, segundo o Centro de Pesquisas.

Outro ponto de atenção está na qualidade. As chuvas prejudicaram não apenas as atividades nas lavouras, mas também características dos grãos, com efeitos especialmente sobre a qualidade da bebida.

Pesquisadores do Cepea indicam que essas condições podem continuar influenciando o mercado ao longo da safra 2026/27. A combinação entre menor velocidade na disponibilização do café e problemas de qualidade tende a restringir o volume de produto apto a chegar aos canais de exportação durante a temporada. Apesar de o país iniciar o novo ciclo com desempenho externo superior ao verificado no começo da safra passada, a evolução dos embarques dependerá do avanço da colheita, da disponibilidade de café beneficiado e das condições de qualidade dos grãos.

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