Poeira do Saara ajuda a fertilizar a Amazônia

Agrolink – Leonardo Gottems

Uma corrente de poeira que cruza o Oceano Atlântico todos os anos ajuda a conectar dois grandes sistemas naturais. Partículas levantadas no deserto do Saara percorrem cerca de 2.600 quilômetros até a América do Sul e levam nutrientes que podem ter contribuído por longos períodos para o equilíbrio dos solos amazônicos.

Em média, cerca de 182 milhões de toneladas de poeira deixam a borda oeste do Saara a cada ano. Desse total, aproximadamente 132 milhões de toneladas ainda permanecem na atmosfera quando chegam perto da costa sul-americana. Cerca de 27,7 milhões de toneladas acabam depositadas sobre a Bacia Amazônica, enquanto outras 43 milhões seguem em direção ao Caribe.

Segundo medições feitas pelo satélite CALIPSO, da NASA, entre 2007 e 2013, essa poeira transporta aproximadamente 22 mil toneladas de fósforo por ano para a Amazônia. O nutriente é fundamental para o crescimento das plantas e o metabolismo vegetal. O volume levado do continente africano é semelhante à quantidade de fósforo que a bacia perde anualmente por causa das chuvas e inundações.

Isso não significa que a floresta dependa exclusivamente do Saara. A maior parte dos nutrientes é reciclada dentro do próprio ecossistema, enquanto o material africano atua como reposição externa de parte das perdas naturais.

O transporte varia bastante entre os anos. De 2007 a 2011, a diferença entre o maior e o menor volume registrado chegou a cerca de 86%. A oscilação está ligada às condições climáticas do Sahel, aos ventos, às chuvas sobre o Atlântico e à quantidade de solo exposto. O CALIPSO utiliza lidar, tecnologia baseada em pulsos de luz, para medir a quantidade e a altura das partículas suspensas na atmosfera.

Rolar para cima